quarta-feira, 11 de abril de 2012

Em Saneamento, a região Norte do Brasil perde para países da África

 
             A região Norte do Brasil tem condições de saneamento piores que as de países africanos como Somália e República Democrática do Congo, que ainda vivem grande instabilidade interna, Burkina Faso e Libéria. Os piores Estados brasileiros têm índices inferiores aos de países mais pobres do mundo. Apenas 5% dos domicílios no Amapá e 5,1% em Rondônia, por exemplo, são adequados do ponto de vista do saneamento, segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2004, feita a partir de dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses índices são inferiores aos de todas as nações pesquisadas em um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2002.  Nesse relatório, as piores condições foram encontradas na Etiópia (6%). No Brasil, 64,1% dos domicílios se enquadram no que o IBGE classifica de saneamento adequado, ou seja, contam com abastecimento de água com canalização interna proveniente de rede geral, esgoto por meio de rede coletora e/ou fossa séptica e lixo coletado. Por trás dessa média, há uma desigualdade que inclui desde índices inferiores a 10%, em Estados no Norte, até os 91,9% em São Paulo. O desempenho do Norte (11,5%) equivale ao de países como Burkina Faso (12%), Níger (12%) e Guiné (13%).
            
             As “disparidades regionais se acentuam quando o rendimento per capita do domicílio é relacionado aos serviços de saneamento”, observa o IBGE. Nesse setor, casas miseráveis de São Paulo têm condições melhores do que as de lares de alguns Estados do Nordeste ou do Norte com renda superior a 5 salários mínimos. “Na região Norte, apenas 6,7% dos domicílios tinham acesso ao saneamento adequado na classe de renda per capita de até meio salário mínimo, passando para 28,5% na classe de renda per capita de mais de cinco salários mínimos
Na maior região do país, somente 13,5% dos domicílios (aproximadamente 555 mil) eram atendidos no ano passado por rede coletora de esgoto. No Nordeste, a situação era um pouco melhor, mas ainda longe do adequado (33,8% das casas contavam com coleta de esgoto em 2009). O levantamento evidencia a desigualdade dessas regiões em relação ao Sudeste, que tinha no período 85,6% das residências com saneamento.
A algumas regiões, como a Norte, Nordeste e Centro-Oeste perderam a cobertura da rede de 2008 para 2009, enquanto Sudeste e Sul viram aumentar esse percentual. 
A situação dessa região se torna cada vez pior, pois as obras do PAC Saneamento estão 100% paralisadas desde 2009, nenhuma obra foi concluída até agora. (veja o gráfico).


Referências:

http://www.pnud.org.br/saneamento/reportagens/index.php?id01=1016&lay=san


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